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Existe o tempo objetivo?

22/05/2014

Em nosso universo cultural, a sanidade é vista como uma construção
coletiva de realidade compartilhada, como por exemplo, o entendimento
que temos sobre o tempo e suas etapas.

O homem da antiguidade, para sobreviver, teve que inventar o mundo, a
realidade e a cultura. Desenvolveu então uma ficção, uma construção
imaginária que passou a chamar de tempo. Faz eras que inventou essa
história da linha do tempo, que até passou a acreditar que se tratava
de algo real. Mas seria isso um delírio coletivo? O quanto seria real?

Podemos observar tanto no cinema, como nas revistas e nas novelas a
continuidade deste tipo de ensinamento sobre o tempo linear. Todos os
protótipos históricos de projetos de vida como os valores e as
carreiras, o sistema social além de aceitar, indica.
O script transmitido pelos pais também podem ser vistos como a
primeira trama histórica a ser vivenciada.

 “As nossas identidades estão organizadas num espaço temporal que
inventa a continuidade de um Eu, mas que nada mais é do que uma
sucessão imaginária de eventos que ocorrem em meio à uma série de
momentos presentes.”

Atualmente inclusive existe uma pesquisa antropológica numa tribo
indígena onde a construção da realidade está baseada somente no agora.
É altamente difícil e até mesmo inconcebível para nós, compreendermos
esse tipo de funcionamento.

Na jornada da ampliação da consciência, porém, a visão desta trama
muitas vezes se funde e se confunde até se perceber que todos os
tempos estão presentes ininterruptamente no  agora. Acontece um
sentido maior de reconhecimento de si mesmo, numa nova e inusitada
leitura de sensações, cognições e sentimentos em relação às
descobertas que agora se apresentam. Simultaneamente ocorre a
associação de tudo o que se esta apreendendo com o que já se é. Enfim,
transformar-se em um outro ao mesmo tempo em que são integrados
aspectos já vivenciados somando-se ainda a um Eu “futuro” que se
almeja ser. Quer queiramos, quer não, somos constantemente mutantes
por natureza.

A nossa consciência é pontual e se apropria de si mesma a cada
instante. A continuidade da mesma ocorre como resultado de uma
construção imaginária sobre temporalidade que está inserida na cultura
e na história. O tempo, porem, como qualidade objetiva, inexiste.

O desarmamento desta construção cultural, por vezes pode trazer a
sensação de um vácuo quase que insuportável. É quando constatamos que
o tempo é uma mera construção cultural no processo da vida, e que o
contexto em que estamos inseridos apenas nos dá a ilusão de um filme
em movimento.

Nesse delicado momento pode-se ir de encontro com toda a potência da
energia da criação. Na desconstrução da trama da realidade temporal
podemos encontrar a liberdade de uma ação altamente criativa e
totalmente lúcida, onde a cultura e a historia são utilizadas apenas
como ferramentas para a nossa expansão. É a possibilidade de se sair
do esquema robotizado e finalmente alcançar o começo de tudo, o SER.
Portanto, se em algum momento de sua jornada passar pela experiência
da desconstrução dessa trama, não se desespere, observe e aja.

Alguns exemplos de experiências que também revelam a desconstrução do
tempo:  A sensação do tempo expandido; a percepção de viver uma
eternidade num instante (samadi), a exaltação de um triunfo esperado,
o orgasmo, um êxtase do sagrado/religioso.

A percepção define o presente que é só espaço, por outro lado, na
memória existe estoque de informações que definem o passado... e você
está aqui! Aproveite tudo isso no topo de suas possibilidades!

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