Existe o tempo objetivo?

Em nosso universo cultural, a sanidade é vista como uma construção coletiva de realidade compartilhada, como por exemplo, o entendimento que temos sobre o tempo e suas etapas. O homem da antiguidade, para sobreviver, teve que inventar o mundo, a realidade e a cultura. Desenvolveu então uma ficção, uma construção imaginária que passou a chamar de tempo. Faz eras que inventou essa história da linha do tempo, que até passou a acreditar que se tratava de algo real. Mas seria isso um delírio coletivo? O quanto seria real? Podemos observar tanto no cinema, como nas revistas e nas novelas a continuidade deste tipo de ensinamento sobre o tempo linear. Todos os protótipos históricos de projetos de vida como os valores e as carreiras, o sistema social além de aceitar, indica. O script transmitido pelos pais também podem ser vistos como a primeira trama histórica a ser vivenciada. “As nossas identidades estão organizadas num espaço temporal que inventa a continuidade de um Eu, mas que nada mais é do que uma sucessão imaginária de eventos que ocorrem em meio à uma série de momentos presentes.” Atualmente inclusive existe uma pesquisa antropológica numa tribo indígena onde a construção da realidade está baseada somente no agora. É altamente difícil e até mesmo inconcebível para nós, compreendermos esse tipo de funcionamento. Na jornada da ampliação da consciência, porém, a visão desta trama muitas vezes se funde e se confunde até se perceber que todos os tempos estão presentes ininterruptamente no agora. Acontece um sentido maior de reconhecimento de si mesmo, numa nova e inusitada leitura de sensações, cognições e sentimentos em relação às descobertas que agora se apresentam. Simultaneamente ocorre a associação de tudo o que se esta apreendendo com o que já se é. Enfim, transformar-se em um outro ao mesmo tempo em que são integrados aspectos já vivenciados somando-se ainda a um Eu “futuro” que se almeja ser. Quer queiramos, quer não, somos constantemente mutantes por natureza. A nossa consciência é pontual e se apropria de si mesma a cada instante. A continuidade da mesma ocorre como resultado de uma construção imaginária sobre temporalidade que está inserida na cultura e na história. O tempo, porem, como qualidade objetiva, inexiste. O desarmamento desta construção cultural, por vezes pode trazer a sensação de um vácuo quase que insuportável. É quando constatamos que o tempo é uma mera construção cultural no processo da vida, e que o contexto em que estamos inseridos apenas nos dá a ilusão de um filme em movimento. Nesse delicado momento pode-se ir de encontro com toda a potência da energia da criação. Na desconstrução da trama da realidade temporal podemos encontrar a liberdade de uma ação altamente criativa e totalmente lúcida, onde a cultura e a historia são utilizadas apenas como ferramentas para a nossa expansão. É a possibilidade de se sair do esquema robotizado e finalmente alcançar o começo de tudo, o SER. Portanto, se em algum momento de sua jornada passar pela experiência da desconstrução dessa trama, não se desespere, observe e aja. Alguns exemplos de experiências que também revelam a desconstrução do tempo: A sensação do tempo expandido; a percepção de viver uma eternidade num instante (samadi), a exaltação de um triunfo esperado, o orgasmo, um êxtase do sagrado/religioso. A percepção define o presente que é só espaço, por outro lado, na memória existe estoque de informações que definem o passado... e você está aqui! Aproveite tudo isso no topo de suas possibilidades!

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