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Sequestradores de Almas e Sequestrados, Bastidores Psíquicos

13/04/2016

Para saber como funciona o status psicológico do sequestrador de alma/agressor, é importante entender que grande parte deles vive através de uma identificação massiva com o principal cuidador que tiveram logo no início de suas vidas. Isso a ponto de inconscientemente passarem a agir através do que adquiriram como mazelas emocionais destes e que ficaram mal paradas. São cuidadores com os quais supostamente deveriam ter criado um vínculo afetivo saudável, uma realidade que até poderia não ser negativa, se tivesse acontecido de modo suficientemente bom nos primeiros anos de vida e de infância, mas o que de verdade ocorre é que esse excesso de identificação apenas evidencia o quanto a expressão do amor e os cuidados essenciais não foram nem bem ofertados e nem assimilados de modo adequado.

Como possível consequência dessa falta de plenitude afetiva, o desenvolvimento psíquico saudável fatalmente corre o risco de ficar corrompido. Neste caso, antes desse indivíduo se tornar um sequestrador, ele é vítima emocional de sua própria historia. Por não dar conta de situações difíceis que ocorreram e por não suportar sequer a consciência da dor de não ter sido amado na medida certa, com o calor de um vínculo saudável e real; por não dar conta do desespero do desamparo que muitas vezes enganosamente ocorre, mesmo pela intrusão excessiva de tais cuidadores, o psiquismo pode inverter caminhos de desenvolvimento naturais, a ponto de danificar de modo drástico toda a percepção acerca da realidade e em relação a outro ser humano que supostamente deveria ser visto como um igual. 

Sequestradores de alma, portanto, de certo modo, acabam se fusionando psiquicamente com os seus cuidadores/intrusores/abusadores, de tal modo, que suas parcerias afetivas se traduzem em meio a intervenções sádicas e perversas, exatamente por não terem condições psicológicas de ler o que, de verdade, houve consigo mesmos, em seus dramas pessoais. Como reflexo deste montante, podem passar a vida inteira agindo por meios de mecanismos que os ajudam a negar para si mesmos qualquer tipo de carência que possam ter tido, embora projetem este lado sombrio, com todas as suas angústias possíveis e imaginárias, em suas vítimas escolhidas e, em hipótese alguma, ousam contar para si mesmos que as dores emocionais projetadas lhes pertencem. Sentem enorme prazer ao se dissociarem destes sentimentos impossíveis de sentir e por isso mesmo acaba existindo um enorme prazer ao ver, no outro, um pedaço seu dissociado, na dor. Seria como aquelas pessoas que têm alguma doença grave e falam dela como se estivessem falando de um vizinho.

Além do sequestrador, que também está sequestrado por suas questões de difícil acesso, a outra vítima, a que se encontra na posição denunciada como de sequestrada em sua alma, fica no lugar mais primitivo possível, que pode existir nas relações, que é o da simbiose da relação de dependência absoluta que acontece com a mãe e com o bebê recém-nascido. Lugar onde todo tipo de alimento possível e imaginário para a sua sobrevivência, vem desta mãe. Esses abusadores têm a maestria de colocar as suas presas, desde o início neste lugar emocional. A sedução sem limites provoca na vítima uma sensação de completude de tudo, desejos, carências e sonhos antes impossíveis de serem realizados se redimensionam em novas possibilidades de serem finalmente satisfeitos. A vida pouco a pouco vai se delineando numa falsa segurança, porque passa a depender deste outro da relação para existir. Pouco a pouco, o sequestrador vai subtraindo a vítima de suas relações de adulto com o mundo e que trazem referências de como ela, apesar de suas carências, já caminhou e já se conquistou. Num determinado momento do sequestro, tudo isso aparenta não ter validade para mais nada, como se não tivesse peso algum. Esses predadores emocionais costumeiramente fazem o papel de cuidadores e como a mãe deveria ter feito, dão remédios e cuidam, portanto, quanto mais frágeis e doentes, mais dependentes ficam, mais bebês carentes as suas vítimas estarão.

Se acaso perceber que a sua identidade está perdendo referências dentro de uma relação afetiva, reavalie se isso que está acontecendo em sua vida de fato é amor. Se existe algum ruído emocional, é porque algo não vai bem. Quanto mais despertos, melhor.

 

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