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Porque os jovens estão bebendo demais? Alerta geral.

29/04/2016

 



Você já passou por aquela sensação de friozinho na barriga, tremores e palpitações quando está prestes a se experimentar numa nova situação?
Provavelmente sim, todos nós, em algum momento das nossas vidas já passamos por isso. Ir a um encontro novo, falar em publico, expor uma injustiça, participar de uma prova, são apenas algumas das inúmeras situações que podem nos causar ansiedade em nossas performances.

Mais precisamente, é no inicio da adolescência que este tipo de sentimento costuma ficar mais em evidencia. É a hora em que os jovens recém saídos de casa se colocam a prova, por exemplo, em suas conquistas amorosas. E para aqueles que estão acostumados a ter tudo o que desejam facilmente na mão, essas ocasiões ameaçam ser a possibilidade da abertura de um verdadeiro colapso emocional. Um inferno para muitos que terão que se botar a prova sem subterfugio algum. Nessas horas de nada valerá ter a calça da hora, um tênis bacana ou o que seja que possa oferecer a ilusão de se está por cima. O que valerá mesmo é o desafio de atravessar a fronteira entre o sou capaz ou não de conquistar alguém. O desafio também será o de partir para o mundo e ser bem visto, aceito e por fim, de fazer parte.

Para essas situações, a melhor saída seria enfrentar os próprios temores seguindo em frente nas empreitadas, aprimorando-se a partir das próprias experiências, em meio às tentativas, acertos e erros. Com isso, inauguram-se estratégias de ação, conversas com amigos e auto pesquisa para que os alvos sejam cada vez mais bem conquistados. Como consequência, de modo natural e pela via da experimentação, alicerces vão sendo criados e a estrutura interna do indivíduo vai sendo construída.

Mas na sociedade do espetáculo infelizmente não é bem assim que isto ocorre. O imediatismo, o medo do fracasso e o sucesso a qualquer custo é o que imperam. Em troca, substitui-se o ganho de si mesmo que só advém pela experimentação, por sedação e êxtase fácil proporcionados pelo uso do álcool e outras variáveis.

Em vez de se agarrarem nas oportunidade que os desafios da vida trazem para efetivamente crescerem, adolescentes de hoje, crescem permanecendo infantilizados quando fazem uso desses tipos de subterfúgios. Em analogia, seria como aquelas criancinhas que quando a mamãe não está por perto para dar suporte, ficam com as suas fraldinhas e  naninhas servindo de ajuda e de segurança para lidar com as suas inseguranças naturais de inicio de vida, quando na ausência das mesmas. A diferença é que como fase evolutiva dos bebes, este quesito está valendo, porém, naninhas em formato de álcool, na adolescência funcionam como objetos errados, em lugares errados e nos tempos errados. Totalmente antievolutivo.

A sociedade deveria estar mais alerta em relação ao dano emocional que o álcool e outros da mesma ordem provocam em relação a dificultar o desenvolvimento saudável da maturidade emocional dos jovens.
Quanto mais despertos melhor.

Silvia Malamud

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