Ele ainda pode se dar bem depois de todo mal que me fez?

03/06/2016

 

“Soube por uma amiga, que o meu ex esta com outra e aparentemente muito bem.

“Vi uma foto do meu ex com uma pessoa nas redes sociais, se divertindo muito.”

“Meus amigos convidaram meu ex e a sua nova namorada para um evento e não me chamaram.”

 

Cenas como estas são bastante comuns de acontecerem no dia a dia das pessoas que passaram por relacionamentos abusivos. A sensação de injustiça fica pior porque grande parte dos dramas relacionados aos maus tratos são vivenciados apenas nos bastidores  e quase ninguém viu ou pode entender a amplitude do que houve. Em geral, as pessoas do convívio acabam banalizando o que ouviram ou viram e não é incomum que a maioria permaneça sob o véu do encantamento hipnótico, no qual o abusador emocional deita e rola.

 

O psicopata, narcisista perverso, ou que quer que seja que por algum tempo literalmente sequestrou a sua alma, por conta desse tipo de movimentação sedutora que fazem com todo mundo, ainda assim, algumas vezes podem fazer com que você duvide das suas próprias percepções a ponto de suspeitar que é a louca da história. Só que não é.

 

Normalmente e como regra geral, todos dessa categoria falam demais e absolutamente todos tem sempre o mesmo objetivo que é o de desqualificar você, e por consequência, a sua percepção. Uma lavagem cerebral ardilosa que acaba cumprindo a função da inserção de duvidas sobre si mesma, sobre as suas memórias, sobre a legitimidade dos seus gostos e por fim, sobre o tudo o que pode ser justo ou injusto para você.

 

Como processo de cura emocional, apenas por um momento faça uma reflexão maior e objetive lembrar com precisão dos momentos do seu relacionamento  onde com clareza absoluta se percebeu transitando por uma trama de abuso emocional irracional dele em relação à você. Lembre-se dos fatos e busque símbolos concretos que promovam a ancoragem dessa realidade para que nunca mais se esqueça ou duvide do que passou, mesmo que neste momento toda essa situação ainda possa aparecer de modo difuso em sua mente.

 

Exemplo de ancoragem na lucidez dos fatos ocorridos: tenho uma paciente que o namorado foi morar em sua residência, passado algum tempo lá, começou a impor algumas de suas regras de funcionamento. Ele deixava sua roupa literalmente jogada no chão do quarto e acumulava suas camisas numa cadeira. Não gostava que as lavassem com frequência  porque achava que iriam ficar com cara de usadas cedo demais. Muitas vezes quando ela resolvia arrumar as roupas e colocar algumas para lavar, apesar de encontrar cartões, bilhetes e cheiros suspeitos, não podia reclamar de nada e ainda recebia uma bronca enorme pela sua atitude. Após tudo isso ainda vinha um gelo afetivo que durava até o tempo dela se humilhar pedindo perdão inclusive por ter suspeitado dele.

 

Após a libertação deste relacionamento abusivo, por conta de ainda estar  fragilizada e as vezes confusa, foi indicado que comprasse um objeto que lhe desse uma referencia contundente sobre o que passou. Ela acabou comprando um gelo de acrílico que carregava sempre consigo e que serviu divinamente para que, com veemência, lembrasse de tudo. E quando depois de ter se trabalhado bastante em suas percepções e se ancorado no tal gelo/símbolo, viu o  ex desfilando com outra, não se iludiu e não mais se enganou. Sabia que aquilo  era apenas uma repetição de cenário, exatamente o que aconteceu com ela e ele agora apenas variando de pessoa. Apenas isso e nada mais. E ela pode olhar tudo como um filme no qual não mais pertencia e pode seguir com sua vida.

 

 

Portanto; - Quanto mais despertos, melhor! Sempre.

 

Silvia Malamud

 

 

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