E-mail: contato@silviamalamud.com / Tel: +55 11 9 9938-3142 /Av. Angélica, Higienópolis - SP

Lidando com mães narcisistas perversas

26/01/2018

 

Mães narcisistas perversas são tóxicas na medida em que modulam suas supostas falas de

bem querer e atitudes técnicas de cuidadoras, com situações reversas à tudo o que pode representar amor e cuidados reais. Como sequencialmente agem dentro desse padrão, fica dificultada a percepção dos filhos sobre a clareza da trama na qual estão envolvidos desde o principio de suas vidas.

Historias de violência emocional dessa ordem são bastante complexas e de acesso tortuoso enquanto não se conhece profundamente os mecanismos da ação perversa. As relações passam por jogos de manipulação, onde ora se bate, ora se alisa, fazendo com que os filhos, vitimas dessa trama abusiva, desacreditem em qualquer tipo de percepção concreta que possam vir a ter acerca da realidade. Nos breves momentos em que passam por rompantes de lucidez sobre as incoerências afetivas e as questionam, são severamente atacados por essas mães abusivas, que se mostram enfurecidas ao serem confrontadas. Como consequência, fazem uso de manobras coercitivas para que seus filhos permaneçam submissos aos seus mandatos, fazendo uso de todo poder de autoridade materna que possuem, mostrando-se magoadas, desqualificando-os, inserindo culpas e acusando-os de não serem bons filhos.

Como no conto de “fadas”, imaginariamente, essas mães se olham no espelho, não admitindo em hipótese alguma ter alguém por perto que possa servir de ameaça na expressão de seus brilhos e beleza. Têm enorme dificuldade em aceitar que o tempo passa e que se envelhece e por mais inacreditável que possa parecer, ver a juventude em seus filhos, é o pior dos mundos. Existe uma competição velada, uma recusa em se passar o bastão de qualquer hierarquia familiar para aqueles que vem depois delas. Possuem vaidade acima da média reveladas pelo enaltecimento excessivo que têm de si mesmas, sendo que nunca perdem a oportunidade de contar à todos como são pessoas legais, queridas, e como todos as amam.

 

Por outro lado, filhos criados neste tipo de ambiente, desolados e inseguros, não sabem o que fazer para que possam obter um olhar de acolhimento e de amor dessas limitadas mães. Literalmente pisam em ovos para não se sentirem criticados, para que elas não fiquem ressentidas com algo que supostamente fizeram, para não sofrerem mais ainda com as atitudes de isolamento e abandono afetivo já existentes. Como as mães ficam em alerta monitorando-os no objetivo de apagar qualquer tipo de manifestação que supostamente possa vir a ofuscá-las, os golpes inferidos visam quebrar qualquer tipo de força emocional e identidade que os filhos possam vir a ter. As manipulações para que estes intentos aconteçam, passam por coerções veladas desautorizando-os na confiança de suas percepções e por consequência, na construção de uma autoestima saudável.

Por estarem a serviço de si mesmas, essas mães apenas conseguem olhar para quem estiver a sua volta, como meros objetos manipuláveis que estão ali apenas para servi-las em suas infinitas demandas.

Como fazem de tudo para invalidar qualquer movimento que minimamente possa fazer com que os filhos apareçam, desde muito cedo estes são “adestrados” à se envergonharem se acaso aparecerem mais do que as suas genitoras. Num pacto silencioso de lealdade familiar para com essas mães, muitos desses filhos tornam-se reféns passivos, submissos e eternos dependentes emocionais buscando a todo custo aprovação sobre as suas atitudes, tentando agradar em primeiro a mãe e ao longo da vida ampliando esse padrão de comportamento para todos os outros que encontrarem pelo caminho. Como característica comum, todos tem energia em abundancia e desde cedo aprendem que para sobreviverem devem passar por cima de si mesmos, negando suas dores, olhando apenas para os desejos dos outros buscando satisfaze-los na tentativa de receber um mínimo olhar de aprovação, reconhecimento e amor. Com o tempo, esquecem de que ter desejos próprios também é um direito. Como trauma de uma vida, vivem como reféns do pavor da rejeição, do sentimento de vazio e de isolamento tão conhecido, portanto, sem saber e com pouco discernimento para entender o que esta acontecendo com eles mesmos e o que os movem, enquanto não despertarem poderão passar pelos mais diversos tipos de violência emocional. Necessitam aprender a diferença que existe entre abuso e resiliência. A angustia da falta de um vinculo real e a promessa de que ele poderá acontecer, mas que jamais acontece no relacionamento com essas mães, faz parte dos resultados dos abusos sofridos que os deixam como reféns vida a fora repetindo esses cenários emocionais enquanto não fizerem o luto dessas mães afetivamente impossíveis. 

Em algum momento, quando despertam da trama de abuso emocional em que estão envolvidos, pode ser que necessitem de bastante auxilio terapêutico para que o resgate de suas identidades possa acontecer. Dependendo da amplitude do mal causado e da possibilidade recontaminação emocional tóxica, o distanciamento é uma das escolhas que costumam ajudar no fortalecimento da personalidade das vitimas, que estarão distantes dos ataques diários. Portanto três tipos de atitudes de sobrevivência podem ser deliberadamente acionados:  

 

1 - Afastamento físico por algum tempo no intuito de reorganizar a identidade longe dos massivos ataques depreciativos e uma volta ao convívio quando se estiver mais fortalecido e emocionalmente blindado.

2- Afastamento físico intermitente por conta de questões de práticas familiares e por entender a mãe como um ser psiquicamente adoecido, atitude que num primeiro momento não ainda não é garantia de segurança total da preservação emocional da vítima.

3 – O não contato. Em situações mais graves onde os abusos são insuportáveis para a sobrevivência, quando a vitima corre risco de perder a sanidade e a saúde, o afastamento total é a única saída possível.

 

É importante saber que se o caso caminhar para atitudes de afastamento, que as vítimas após reprocessarem seus conteúdos emocionais e ainda com bastante informação sobre o que está ocorrendo em suas vidas, articulem sabias estratégias para não sairem dessa situação mais feridas ainda e que não façam nada antes de alcançar total clareza sobre a trama na qual estão envolvidas.

Nas situações onde não há solução possível de mudança de comportamento por parte das mães, de algum modo, quer seja fisicamente, quer seja emocionalmente ou em ambos os casos, é inexorável acontecer um afastamento gradativo e silencioso como mecanismo de sobrevivência das vitimas, sendo que isso pode ocorrer mesmo que haja um olhar humanitário de entendimento sobre o todo o drama e mesmo quando o relacionamento no dia a dia continua.

Lembrando que uma vez em que alma se conquista em lucidez, ela se torna incorruptível e com toda certeza saberá reconhecer qual a melhor atitude a ser tomada.

Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

 

 

Please reload

Artigos Recentes 
Please reload

Redes Sociais
  • Facebook
  • Instagram
Palavras-Chave