Como se blindar dos abusos da mãe narcisista perversa?


Sabe aqueles dias em que você se percebe superfeliz em meio a um prazer inequívoco de existir? Aqueles momentos de plenitude e de tranquilidade inevitáveis pelo quais, por vezes, todos nós passamos na vida? Quando efetivamente nos soltamos abandonando todas as nossas defesas? Se você tiver uma mãe narcisista perversa, saiba que, por mais distante que ela esteja, ainda assim estará à espreita, funcionando como um radar que silenciosamente busca esses preciosos momentos para poder entrar em ação na sua destrutividade.

Agora preste muita atenção, porque vou lhe revelar uma receita infalível para que não só os seus melhores momentos permaneçam protegidos e inquebrantáveis, como toda a sua vida.

Inúmeras vezes você deve ter se perguntado como ela conseguiu, até os dias de hoje, te capturar tão bem, a ponto de conseguir te ruir em segundos, quando você menos espera.

Enquanto ela estiver viva, pode ter toda a certeza de que, nos seus melhores momentos, ela até pode vir de modo manso, mas o destino certeiro sempre será o de te quebrar. Afinal, em sua cabeça, somente ela pode ser solar, ser especial e é a única que possui o direito de brilhar. E ela consegue te pegar, porque, mesmo que não goste, você foi adestrado nisso desde que nasceu.

A conexão que veio pelo cordão umbilical continua ativa como uma frequência que parece te capturar onde estiver. Não há paz permanente, porque ela tem esse fio condutor em atividade desde quando você estava em sua barriga, não rompe e não quer admitir que você esteja livre, quer ter o controle absoluto sobre sua vida.

Se estiver feliz do outro lado do planeta e não rompeu com ela por um ato de humanidade, ainda assim ela vai te encontrar nessa frequência e, com falas estratégicas, conseguirá chegar ao ponto de te desestabilizar por completo como sempre o fez. Não se iluda, sempre foi assim e sempre será, enquanto essa frequência estiver ativa. E não pense ou imagine que alguém que nunca viveu esse tipo de drama poderá te acolher nessa profunda e dramática dor. Esse tipo de realidade, somente você poderá desfazer, pois é totalmente inacessível e impensável na amplitude do que realmente ocorre para qualquer pessoa que não tenha passado por essa trama. Portanto não perca o seu sagrado tempo tentando pedir ajuda a quem nunca viveu situações dessa ordem.

É muito difícil acreditar que o arquétipo da boa mãe, além de funcionar no oposto, associa-se a terríveis aspectos de perversidade que confundem as vítimas e quem mais estiver por perto.

Sempre falo que é devastador, mas essa palavra ainda se mostra muito pequena diante da amplitude desse drama.

Geralmente filhas de mães perversas, ao contrário delas, são centradas nas emoções que vêm do coração, lugar por onde essas terríveis mães costumam despejar os seus piores venenos.

Se você estiver se identificando com este artigo, peço que não se desespere, porque, para as vítimas, existe solução.

O principal antídoto, quando você for pego no impacto do ataque é ter consciência prévia dos mecanismos narcisistas de sua mãe e ter o seu histórico de vida com ela muito bem reprocessado em sua mente por uma boa terapia que lhe promova total desidentificação com tudo que dela sempre lhe ativou em mal-estar, reatividade e outras reações frente aos diversos tipos de manipulações promovidos.

Na sequência, quando vier algum um novo truque destruidor por parte da sua mãe, receba o impacto, prometendo-se não reagir de imediato. Prometa-se respirar pausadamente bem profundamente, contar para si mesmo qual emoção evocada, acolhendo e nomeando tal sentimento. Por exemplo, se você ficar com raiva, lembre-se de que a raiva faz parte de um mecanismo de reatividade, ou seja, é uma reação a algo que geralmente nos defende de um sentimento mais profundo e que está numa camada mais abaixo, esse sentimento geralmente tem o nome de tristeza. Se chegar a esse ponto, permita-se, por alguns instantes, sentir essa emoção acolhendo-a, mas não ficando tempo por demais nesse lugar, para nele não se ambientar. Que esse seja apenas um local de contato que lhe sirva para por alguns instantes para resgatar a sua capacidade de reconhecer o adoecimento da sua mãe de modo não reativo e sim mais sábio. Na sequência, diga a si mesmo: “Eu sinto muito por ter uma mãe adoecida nesse nível, mas é essa que tenho”.

A partir desse momento, sem perder a sua lucidez, você poderá fazer o que quiser, dar os seus limites, não abaixar a cabeça, contar para sua mãe sobre o impropério feito e também pode decidir não falar nada, seguindo em frente. Enfim, pode fazer o que lhe aprouver e de acordo com a sua espontaneidade de sábio, porque agora você novamente se desidentificou do que estava ocorrendo e não fugiu do que estava sentindo, reagindo apenas.

Este é um tema que a princípio o entristece muito, mas que ainda assim é uma realidade que deve ser tratada e observada em meio à objetividade e ao histórico de cada vítima. Com o tempo, ao exercerem condutas pessoais mais saudáveis, as redes de respostas automáticas das vítimas, cada vez mais, responderão às ameaças, manipulações e ataques emocionais de modo mais assertivo e menos emocional. Temos neuroplasticidade cerebral e podemos remodelar nossos cérebros, salvando nossas vidas de relacionamentos abusivos, ativando a nossa presença em nossos atos.

Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

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