Você sabia que homens também são vítimas de Abuso Emocional?


Da mesma forma que a sociedade acordou para validar o drama das mulheres que sofrem toda sorte de abusos, muitos homens da nossa atualidade em meio a enormes dificuldades para se exporem, também passam pela amarga experiência de serem eles, as vítimas de mulheres abusadoras. Estes, mais do que nunca necessitam de espaço para serem ouvidos.

Não poucas são as vezes em que tenho recebido no meu consultório homens emocionalmente fragilizados, vítimas de abusos emocionais. São pessoas comuns que jamais suspeitariam que algum dia passariam por essa terrível experiência. Muitos chegam deprimidos, confusos e culpados pedindo ajuda para entenderem e poderem lidar melhor com as dinâmicas das relações afetivas nas quais estão envolvidos. Outros vêm totalmente perdidos, sem identidade e sem noção sobre onde estão ou acabaram de sair. Confusos, não sabem se a culpa dos ocorridos são deles, se provocaram o mal-estar do qual estão sendo acusados ou se quem sabe, se poderiam ser eles as vitimas de uma trama obscura que por mais que pudessem já ter lido a respeito, ainda assim parece ser inacreditável que exista e que seja tão danosa.

Aqueles que permanecem nas relações, revelam que vivem sob ameaças constantes e em meio a críticas na maioria das vezes bastante ostensivas. Contam que nada do que fazem ou falam parece ser adequado, ainda recebendo comentários de desdém somados à ironias sem fim. Como regra geral, todos acabam vivendo restringidos na liberdade que poderiam ter de conviver com as suas famílias de origem ou com amigos que, inclusive, poderiam até ser em comum ao casal.

A maioria dos que aqui chegam estão bastante perdidos e não sabem mais o que fazer para agradar uma vez que praticamente tudo o que têm feito em nome de apaziguarem os animos, acaba revertendo no oposto, numa insatisfação crônica repleta de críticas destrutivas.

Além de todo este montante, reina uma obsessão por saber onde o companheiro está, sendo que absolutamente todos os horários são monitorados sob ameaças de explosões de ira se acaso houver algum atraso além do previsto. Nessa trama, praticamente todas as conversas são monitoradas, sendo que qualquer ação que represente algum vacilo no imaginário do abusador, facilmente transformará o clima tenso do relacionamento, num verdadeiro inferno.

Tenho exemplo de pacientes que acabaram não indo na festa do próprio aniversário de tanto que a esposa perturbou achando que nessa ocasião eles teria que se dividir com os outros e certamente não ofereceriam atenção suficiente à elas. Nessas ocasiões, as discussões podem se tornar tão terríveis que para evitarem conflitos ainda maiores, as vitimas acabam cedendo “decidindo” não irem nas festas, saindo sozinhos com as ditas parceiras. Exaustos e sem saída emocional saudável para si mesmos, optam por passarem por cima de seus próprios sentimentos e de tudo o que poderia ser viável não indo encontrar com a família, parentes e amigos. Frequentemente confessam que confrontá-las seria o pior dos mundos preferindo não passarem pelas imaginar consequências.

Em outras situações, protegidas pela lei Maria da Penha, companheiras não hesitam em avançar fisicamente em seus companheiros, sabendo que o revide seria praticamente impossível de ocorrer.

Homens que passam por este tipo de sofrimento não são mais fracos do que a maioria e não seria justo qualquer tipo de descrença a respeito de suas histórias ou mesmo algum nome pejorativo que por ventura poderiam ser injustamente rotulados.

O abuso de mulheres para com homens, costuma pegá-los desprevenidos colocando-os em situações inimagináveis para quem está do lado de fora. Mesmo quando despertam reconhecendo que estão passando por relacionamentos tóxicos, ainda assim, existe bastante dificuldade até se verem livres de tais dramas.

Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

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