Como lidar com sentimentos perturbadores?

18/06/2020

Alguma vez você esteve em meio à sua família, parceiros e amigos, e ainda assim se sentiu totalmente só, como se fosse estranho àquele local?
Solidão é o nome da soma de algumas sensações que incluem sentimentos de isolamento e desconexão. Reconhecidamente uma das sensações mais difíceis e complexas de se orquestrar.

É em momentos como esse que se fica possuído pela sensação de afastamento de tudo e de todos, que até mesmo o contato consigo mesmo fica difícil. O contato é apenas com a dor de um vazio insuportável. Nessas ocasiões, não existe lugar em que se possa ter paz e sossego emocional. Quem já passou ou está passando por essa situação sabe que, mesmo em tempos de confinamento, mesmo se estiver sozinho ou entre as várias pessoas, em espaço delimitado ou não, esse tipo de sentimento parece que vai corroer a alma. Muitas vezes há um perigoso momento de dor e de desespero, que até pode gerar fuga da realidade, rompendo-se com o tempo e com o espaço objetivos.

Independentemente de você já haver passado por isso antes, ou se esse tipo de sentimento é novo ou uma constante em você, a ideia é que, quando notar esse mal-estar aumentando e antes da possibilidade de se perder na linha-limite da insuportabilidade, busque fazer uma regulação emocional, a fim de transcender com sabedoria tais episódios e também para que eles não ocupem tempo demais no seu sistema biológico, a ponto de enfraquecer os seus mecanismos de defesa.

Uma forma de tirar proveito desse tipo de crise é dar início a um processo reflexivo.

Você pode dar início ao processo reflexivo, exercitando certo distanciamento do cenário existencial costumeiro, passando alguns instantes apenas observando as imagens de sua vida se mostrando diante do seu olhar interior. Observe como se tudo fosse aspectos de um filme onde, até então, você estava inserido de modo hipnotizado, atado em sua própria tela. Na sequência, atente às pessoas que juntamente com você têm passado pela vida em estado de hipnose. Ao fazer isso, comece a observar as suas relações de modo mais distanciado e sem envolvimento emocional, apenas ativando o observador que existe em você. Veja o filme da história da sua vida, o sentido ou a falta de sentido da existência que vem levando, e tenha a certeza de que esse momento reflexivo é muito especial e único. Importante: não se envolva emocionalmente nas cenas.

A partir dessa prática aparentemente simples, você poderá transcender diversos tipos de sentimentos que te levaram à desconexão e à percepção da solidão como dor, muitas vezes encaminhando-se para a prazerosa sensação de solitude e de paz interior, apreciando estar consigo mesmo, em seu castelo interior, ainda resgatando um novo você, que saberá lidar melhor tanto com as situações internas quanto externas.

É nesses delicados momentos que novos e inusitados cenários costumam se abrir em meio a possibilidades criativas para que a vida aconteça em diferentes perspectivas. Basta ter paciência e arrumar um tempo para que de verdade fique consigo mesmo, observando-se sem tentar fugir do que dói.

Você pode tentar e partir para mais essa aventura da consciência. Se ao final ainda estiver com alguma dor emocional, mesmo em meio a todo o processo, faça mais vezes até conseguir a finalidade desse projeto de lucidez. Se ainda assim observar que restou algum desconforto e se estiver com alguma dor de angústia no meio do peito, sugiro que busque um auxílio psicológico, sendo que em alguns casos a dor emocional também pode estar vinculada a um colapso orgânico maior, que necessite de medicamentos como vitamina para que o cérebro se restabeleça.

Importante ter discernimento e entender que somos humanos e que, dependendo do tempo de estresse, podemos entrar em colapso, necessitando de ajuda profissional.

Muitas pessoas têm preconceitos em relação a esses tipos de auxílio, como se tivessem fracassado na apologia do existir bem e feliz. Não notam, porém, que a parte do cérebro é física e que pode entrar em colapso, assim como se pode ter uma úlcera, diabetes ou o que seja no corpo, que costumam ser tratados por meio de medicamentos.

Acredito em neuroplasticidade, mas também acredito que, em alguns momentos da vida e para determinadas pessoas, a neuroplasticidade pode acontecer, se medicamentos curativos intervirem como suporte de auxílio físico/neurológico.

Ter consciência do limite do estresse e do colapso emocional pelos quais se esteja passando é um salto importante para que uma vida com qualidade aconteça.

Na brevidade da vida, não há tempo a perder com dogmas e preconceitos, o que vale é a busca da felicidade por meio de caminhos lúcidos.

Quanto mais despertos, melhor!

 

 

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